Viagem às província do Rio de Janeiro a São Paulo

João Tiago Von Tschudi

Visita às colônias de parceria da Província de São Paulo
Santos era meu próximo objetivo. Por isto embarquei no vapor ''Piratininga'', que me havia de levar aquele porto, num Sábado, dia 21 de julho de 1860, ás duas horas da tarde. Satisfeitas as exigências policiais e alfandegárias, a embarcação deixou o forte de Villegaignon, saindo barra a fora, rumo ao Sul. Entre outros passageiros conhecidos, encontrei o major Von Sukow cuja companhia me foi dada desfrutar durante alguns dias.
Os mais desagradáveis companheiros de viagem que se podem encontrar nos navios das rotas brasileiras, são os judeus alsacianos e, infelizmente, é muito raro, pelo menos nas linhas mais freqüentadas, ver-se uma pessoa livre deles. Suas fisionomias características, seus hábitos importunos e molestos, enfim, a impertinência que lhes é peculiar e suas vestes relaxadas, os tornaram logo tão facilmente identificáveis, quanto por sua linguagem, um português viciado e afrancesado ou um francês deturpado, e o judeu-alemão, este último o predileto e que falam entre si, quando não suspeitavam serem observados por alemães. Também desta vez tivemos alguns desses cavalheiros de indústria a bordo. Um deles se salientava pela extraordinária impertinência, pretendendo, ao que parecia, desempenhar papel de importância. Durante o almoço, começou por insultar os alemães e a Alemanha, trazendo à baila em sua arenga, de maneira ofensiva, a guerra libertadora alemã contra Napoleão. O bom major, que tomara parte nessas campanhas e com distinção, achou que as cousas chegavam a seu limite, e a indignação, tanto tempo contida, encontrou desafogo na tempestade de palavras que fez desabar sobre a cabeça do palrador estúpido e seus amigos. Esta réplica, tão enérgica quanto rude, obteve eco favorável entre os brasileiros e produziu efeito drástico nos que foram diretamente atingidos por ela. Um após outro, foram os visados se levantando da mesa, para ir tomar ar fresco, tratando todos eles de evitar, com manifestos sinais de medo, o nosso Júpiter Tonante.
Depois de uma viagem de 28 horas, entramos, Domingo às 5 da tarde, no porto de Santos. No dia seguinte, comprei um boa mula de sela, aluguei as bestas de cargas que me eram necessárias, e deixei, Terça-feira, dia 24 de julho, a cidade portuária, em companhia do major Von Sukow . Adiante terei oportunidade de falar da estrada que liga Santos a São Paulo, limitando-me aqui a observar apenas que encontrei a estrada que passa pela serra de Cubatão em melhor estado que dois anos antes, mas, em conjunto, apesar das avultadas somas dispendidas na sua construção, quase nada melhor que naquela época. Vencida a serra, descansamos um pouco em Caveiras. Ao criar da noite, resolvemos pousar em Rio Grande, onde encontramos todas as comodidades que um albergue pode oferecer, no interior do país. Após a marcha, que fora de 7 horas montado, meu companheiro, homem de mais de 70 anos, sentava ainda na sela, tão firme e aprumado, como se apenas passeasse pelas ruas de Rio de Janeiro. Forte chuva nos impediu de prosseguir a viagem, quando nos dispúnhamos a ela, às 9 horas do dia seguinte. Os caminhos estavam encharcados e escorregadios, e já eram bem umas 2 horas da tarde, quando chegamos em São Paulo. Hospedei-me no Hotel Palm, que me fora recomendado por diversas pessoas, Os aposentados eram medíocres, mas a recepção, a atenção dispensada aos hospedes e a boa mesa, compensavam a lacuna. O proprietário do hotel, um alemão, era antigo colono de Santa Francisca. Durante alguns anos, tivera um albergue na estrada de Santos, depois do que viera estabelecer-se com um hotel alemão na capital da Província. Nessa mesma tarde, recebi a visita de alguns conhecidos de minha anterior viagem, e, em breve, formou-se um pequeno círculo alemão, que se animou com a palestra agradável e alegre do major Von Sukow. Um dia depois de minha chegada, visitei o presidente da Província, que já fora informado de minha presença na cidade. Fui convidado a um passeio até a penitenciária, que não ficava longe da cidade. Nesse estabelecimento correcional encontravam-se dois colonos de parceria suíços, presos havia quase dois anos. Eram culpados de graves e repetidos excessos na colônia Laranjal, perto de Campinas, de onde, finalmente, haviam fugidos. Tinham sido recapturados e o tribunal de Campinas os condenara a trabalhar na penitenciária durante o tempo necessário para pagar, com o produto do trabalho, as dívidas deixadas na fazenda. Ao folhear os autos, tive a oportunidade de verificar que o processo decorrera normalmente, mesmo porque o advogado dos colonos era um inimigo figadal do proprietário da fazenda Laranjal. A sentença estava de acordo com o código penal, mas não com os dispositivos legais que regiam os assuntos atinentes aos colonos. Segundo os dispositivos de que falo, o colono que foge deixando dívidas, em caso nenhum poderá ser condenado a mais de dois anos de prisão, o produto do trabalho efetuado na prisão, deve ser aplicado no pagamento da dívida contraída. Ora, de acordo com a sentença proferida pelo tribunal em Campinas, os colonos em questão teriam de ficar toda a vida na prisão, pois suas dívidas eram consideráveis, e o dinheiro que se ganhava na penitenciária, muito pouco.
Uma vez informado sobre a verdadeira legislação, entreguei o caso a um advogado hábil, que apelou contra a sentença do tribunal de Campinas, e tomei, ao mesmo tempo as providências cabíveis, tanto nessa cidade como em São Paulo, onde o presidente me prestou eficaz auxílio, que acelerou o desenlace da questão. Tudo foi resolvido satisfatoriamente e os colonos foram libertados poucas semanas mais tarde, após cumprirem os dois anos de reclusão.
A penitenciária me surpreendeu em alto grau pela sua organização prática e eficiente, a não exagero se a comparo com os melhores institutos congêneres existentes na Europa, sendo que ainda os sobrepuja, mesmo alguns dos mais afamados de entre eles. Em toda a parte reinava grande ordem e asseio. Os dormitórios e as oficinas eram amplos e bem ventilados. Nas oficinas os presos trabalhavam em vários ofícios, tais como os de alfaiate, sapateiro, ferreiro, encadernador, etc. Quem não soubesse nenhum ofício ao entrar na penitenciária, devia escolher um. Cada oficina era dirigida por um mestre livre. Os presos podiam unicamente conversar com ele, limitando-se a observações e perguntas relativas ao trabalho. Mais tarde, visitei ainda, por duas vezes, a mesma penitenciária, e tive ocasião de assistir à refeição principal. A comida era farta e boa, e de tal modo abundante, que alguns detentos não chegavam a consumir toda a ração. O aspecto físico dos presos, cuja maioria era composta de gente de cor, era excelente. No hospital, encontrei apenas quatro enfermos, sofrendo um deles de peritonite e o outro de artritismo, e os dois restantes, de ferimentos leves, recebidos nas oficinas; um destes era um hamburguês, que tinha um prego cravado no pé.
Os dois referidos colonos suíços, com os quais conversei durante certo tempo, manifestaram-se favoravelmente sobre o tratamento que lhes era dispensado na penitenciária, salientado, antes de tudo, a bondade do diretor. Ambos se dedicavam a trabalhos leves, no jardim e na horta, e tinham ainda a regalia de receber a visita de suas esposas, que se tinham estabelecido na cidade, como lavadeiras.
Assuntos de importância prestaram-me por alguns dias em São Paulo, dando-me o ensejo de ficar em contato mais íntimo com o presidente da Província, Era ele um desses homens de poderes efêmeros, que vivem e morrem com o Ministério ao qual devem o cargo, e que evitam com grande habilidade cair no desagrado de uma ou outra facção política, manejando com grande cuidado a nau incerta em que embarcaram. Mas, tais manobras pouco adiante geralmente, e não lhes asseguram nem posição estável, nem influência. A atitude bastante ambígua e duvidosa do então presidente da Província ficou patente para mim, quando ele me ofereceu, por ordem do Governo Imperial, as cartas oficiais de recomendação para as autoridades, e fazendeiros cujas colônias de parcerias de parceria eu tencionava visitar. Ao tomar conhecimento do conteúdo de tais cartas, cheguei à conclusão de que elas de nada serviam, dados os fins a que se destinavam. Não pude, pois, deixar de fazer uma observação bastante enérgica ao senhor presidente, o que não lhe agradou, pois exigi que fornecessem cartas com redação diversa, de acordo com o rascunho por mim sugerido. Recebi estas cartas nas vésperas de minha partida, e tive a satisfação de notar depois que surtiram em toda a parte o efeito desejado.
Um pequeno exemplo vai servir de amostra do quanto se explora toda e qualquer atitude de um presidente de Província, no terreno das lutas e paixões políticas. O presidente convidara a mim e ao major Von Sukow, que já conhecia havia anos, para uma festa.
Num círculo pouco menos numeroso, encontramos algumas personagens de destaque na vida da cidade, e divertimo-nos o quanto é possível alguém divertir-se nas severas e cerimoniosas reuniões brasileiras. Semanas mais tarde, remeteram-se um recorte de um jornal do Rio de Janeiro, no qual encontrei, para grande surpresa minha, um artigo enviado de São Paulo, no qual se relatava que o presidente convidara o embaixador da Suíça e o major Von Sukow para um sarau e que, quando esses dois senhores compareceram encasacados, de gravata branca e luvas de "Jouvin", o ajudante de ordens informou que o presidente já se achava em seus aposentos particulares e não recebia ninguém. Não satisfeito em forjar um caso absolutamente imaginário, o correspondente insultava ainda o presidente, observando mais que o Governo não podia manter pôr muito tempo no poder homem de tão pouca educação, que tratava de tal forma o representante de um país amigo. Aí estava o fundo da história toda, o articulista caluniava o presidente afim de propor seu afastamento do cargo, pensando na máxima fundamental de toda calúnia:
Semper aliquid haret.
No decorrer da minha permanência em São Paulo, fui visitado por grande número de colonos suíços, que tinham abandonado seus contratos de parceria depois de haverem pago as dívidas contraídas ou de se haverem delas esquivado pôr meio de fuga. Estes últimos pediam a minha intervenção afim de lhes pôr em ordem a situação e livrar-lhes da constante ameaça de uma ação judicial contra eles. Todos de mostravam muito satisfeitos com os ofícios que então exercia; uns já haviam conquistado posição econômica estável, outros lutavam ainda contra grandes adversidade, mas sentiam-se homens livres. Alguns, entretanto, viviam na mais negra das misérias, entregues ao vício do álcool.
Encontrei também colonos da antiga colônia Santo Amaro, gente de caráter bastante esquisito. Pôr ordem do Imperador Dom Pedro I, o presidente da província de São Paulo recebeu a incumbência, pôr intermédio do decreto ministerial de 8 de novembro de 1827, de tomar todas as providências necessárias afim de poder abrigar um número considerável de colonos alemães, os quais chegaram, efetivamente, no ano seguinte à capital da Província. Tratava-se de 149 famílias, compreendendo 926 indivíduos ao todo, incluído 72 não casados. Na colônia Santo Amaro, foram localizados 336 pessoas. O Barão de Antonina ficou com 238, fundado, mais tarde, na província do Paraná, a colônia Rio Negro, perto Capela do Rio Negro. Na vila de Conceição de Itanhaem ficaram 39 pessoas, e 57 em Cubatão de Santos, os restantes não foram para nenhuma empresa colônia, permaneceram na cidade e dedicaram-se a diversos trabalhos e ofícios. Os colonos que foram localizados em Santo Amaro eram, na sua maioria, prussianos-renanos, da região de Hundsrueck, e tiveram no Barão, mais tarde Marques de Santo Amaro, um protetor benevolente. Parte deles, especialmente os católicos, aceitaram as propostas do Governo, que eram as seguintes: 1- cada família receberia uma doação de 400 braças quadradas de terras; 2- cada pessoa adulta receberia durante ano e meio, 160 réis diários em moeda. Cada criança receberia a metade desta quantia; 3- Bois, cavalos, ovelhas, seriam fornecidos pelo Governo,, devendo o valor desse gado, em moeda ou em espécie, ser restuído dentro de quatro anos; 4- Os colonos que estivessem vindo pôr conta do Governo teriam isenção de impostos por 8 anos e, os que estivessem pago suas passagens , por 10 anos; 5- Os colonos ficavam na obrigação de tomar armas, quando em caso de perigo fossem convocados pelo Governo; 6- recrutamento obrigatório para as crianças; 7- O Governo ficava obrigado ao pagamento dos honorários dos médicos e padres, durante ano e meio. Outros colonos, geralmente os protestantes, não aceitariam estas condições e preferiam adquirir terras para cultiva-las, logo que se apresentasse a oportunidade. Adquiriram, efetivamente, uma sesmaria que antes pertencera aos jesuítas. A algumas léguas de distância de Santo Amaro, perto da aldeia de Itapecirica . estes colonos não receberam subvenção nenhuma do Governo, mas ficaram entregues à própria sorte, o que os levou a um desenvolvimento vagaroso mas seguro da colônia. Decorridos alguns anos, os colonos já tinham adquiridos certa independência de bem-estar, cultivavam suas terras e continuavam a trabalhar sem desfalecimentos nas suas lides agrícolas. Nenhuma família deixara a colônia, conservaram seus trajes tradicionais, e muitos dos mais velhos vestem ainda hoje, aos domingos, o fraque azul com que foram confirmados na pátria distante. Esses alemães gozam de grande estima em toda a redondeza. Vendem seus produtos na vila de Santo Amaro ou no mercado em São Paulo. Segundo informação que colhi, o número de colonos em Santo Amaro e Itapecirica era de 500 indivíduos, em 1860. Não posso, entretanto, afirmar que estes dados sejam exatos.
Esta foi a tentativa de colonização mais barata que se fez, no decorrer dos tempos, em todo o Brasil.
O elemento alemão em São Paulo é numeroso. Há na Província homens eminentes, de origem germânica.. na capital, encontramos alemães em todas as camadas da população, sendo que a maioria deles aí se estabeleceu recentemente, em consequência da colonização. Os protestantes possuem seu templo próprio. O pastor que ali estava, ao tempo de minha visita à cidade, era o pastor Hoelzl, austríaco de origem.
Um dia depois de minha chegada a São Paulo, fui procurado pôr certo português, que se apresentou como o dr. Lopes. Já dois anos antes, este homem despertara a minha atenção, na mesa do hotel, tanto pelos seus traços fisionômicos marcantes, como pela sua conversação exaltada. Informaram-me que se tratava de um médico homeopata, bastante excêntrico em suas idéias. Mas absolutamente inofensivo. O motivo da sua visita era dos mais estranhos. Depois de um preâmbulo muito animado e confuso, durante o qual me fez uma exposição da vida brasileira, frisando sempre as injustiças cometidas pelos brasileiros contra os imigrantes portugueses e europeus em geral, abordou um inesperado desfecho. Disse que não havia outro meio de dar cabo a tais iniquidades senão declarando guerra ao Brasil. A Inglaterra e a França não se interessariam pelo caso, a Alemanha não apresentava um poder unido em face de uma nação transatlântica; assim sendo, nada restava, pois, senão uma aliança entre Portugal e Suíça, para dar início a esta guerra. Portugal fornecia a frota, a Suíça as tropas.
Acrescentou ainda que já elaborara os planos até nos seus mínimos detalhes, e pedia meus bons ofícios para transmitir o projeto a meu Governo. Quanto a ele, não duvidava um só instante de que a Suíça iria aproveitar com prazer a oportunidade, para castigar o Brasil. O êxito era seguro e ambos os países aliados se cobririam de louros. O Dr. Lopes ficou muito desapontado quando lhe declarei que não me podia entusiasmar por um projeto tão fantástico e louco; pôr isto deixou de me enviar seus planos já elaborados.
Entre os números episódios que me relatou para ilustrar os aspectos da vida brasileira, vou reproduzir um, sem contudo afiançar pela sua autenticidade, pois ninguém mais pode confirmá-lo, não obstante minhas pesquisas para averiguá-lo. Eis, pois, a história do dr. Lopes:
Perto de Moji-Mirim, na província de São Paulo, viviam dois fazendeiros amigos. Um deles, ainda moço, travou relações íntimas com a filha do outro, embora fosse já casado. O pai suspeitou do ocorrido e a moça viu-se forçada a confessar-lhe que das suas relações com o rapaz tinham advindo consequências comprometedoras. Dirigiu-se, então, o pai à casa do amigo e disse-lhe, laconicamente: "Tens que casar com minha filha". "De muito bom agrado- retrucou este - mas, como sabes, já sou casado". " Nada tenho a ver com isto - tornou o outro". "Repito: Tens que casar com minha filha ". E dito isto partiu, sem acrescentar mais uma palavra, sequer. Passado pouco tempo, o jovem marido empreendeu uma viagem de negócios a Santos. Durante sua ausência, perfurando o teto do quarto de dormir da sua esposa, dois capangas penetraram assim no seu aposento e estrangularam da maneira mais bárbara a pobre mulher. Dois dias mais tarde, foi sepultada a vítima, dizendo-se que sucumbira a um ataque cardíaco. O pai da moça pretendente ao recém - viúvo acompanhou a cerimônia do enterramento, mostrando-se nessa ocasião um dos mais dedicados amigos. Quando o outro voltou da viagem, tudo já estava acabado. Recebeu as condolências da praxe e, tempos depois, casou com a filha do amigo.
Meu hospedeiro me surpreendeu uma bela manhã com a notícia de que minha rica mula se encontrava gravemente enferma, sem poder levantar-se. Refiro-me a este incidente apenas para falar de um método bastante curioso de tratamento dos animais, de que antes nunca tivera notícia. A besta sofria de forte afecção catarral, que se manifestava pôr um corrimento pegajoso na boca e nas narinas, tosse, respiração pesada e absoluta falta de apetite, sintomas estes que provocavam acentuada fraqueza geral. Dei a mula como perdida e pedi que arranjassem outra . Nesse entre tempo, depois de várias tentativas vãs para curar o animal, um amigo me recomendou o ferreiro, que morava na praça da Universidade, ao qual deveria levar o animal, pois esse homem, muito prático em tais assuntos, era o único capaz de salvá-lo. De noite, a muito custo, levamos o pobre animal à casa do dito ferreiro. Este, depois de haver auscultado minuciosamente a mula, confessou que o caso era grave, mas não sem remédio. Sangrou-lhe uma veia e despejou pelo corpo álcool muito forte, ao qual ateou fogo em diversos lugares . O álcool ardeu naturalmente com viva chama azulada, enquanto o animal se contorcia de dores. Depois de alguns instantes, o ferreiro apagou as chamas com um cobertor e mandou que fizessem o animal se movimentar durante uma hora. Este heróico método foi coroado do mais amplo êxito. No dia seguinte a mula estava boa, comia bem e nunca mais sofreu de mal nenhum.
No dia 1 de agosto deixei São Paulo, em companhia de um criado e de um guia montado, que acompanhava a besta de carga, seguindo pela estrada de Jundiaí. A uma hora de marcha da cidade, passamos por Águas Brancas, onde atingimos o monte do Ó, em cujo cume existe uma insignificante aldeia, com sua pequena mas graciosa igreja, votada a Nossa Senhora do Ó.


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